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O samba é uma instituição

Entrevista retirada do site ClickNotícias

Quando Nelson foi sargento?

Nelson: Eu servi o exército de 1945 a 1949 como voluntário. Tinha 20 anos. Foi o tempo de subir de patente. Fui soldado, cabo e sargento. A Segunda Guerra terminou em maio e eu me alistei em agosto. Hoje eu não sou aposentado, sou reservista não remunerado.


O senhor pinta o samba ou samba o que pinta?

Um ajuda o outro. A maioria dos sambistas é pintor; o Caimmy e Guilherme de Brito, por exemplo. Músico e pintor estão relativamente próximos. Gosto de pintar o morro, a favela a baiana. A arte é uma só. A forma em que a gente a desenvolve é que é diferente.


E o cinema?

Na primeira vez que eu participei de um filme foi numa curta metragem de Estêvão Pantoja, “Nelson Sargento da Mangueira”, que conta um pouco da minha trajetória no samba, e eu interpretei eu mesmo. Depois fiz a roda de samba no “Orfeu de Carnaval” do Cacá Diegues e o “Primeiro Dia” do Walter Salles.


Qual é o lugar do samba dentro da música popular brasileira hoje?

A música que caracteriza o País é o samba. O samba é a música popular do Brasil. Então tem que estar sempre em destaque. Isso não impede a existência de outros ritmos como o samba pagode, o samba bossa, o samba hip hop, porque todo mundo inventa mas ninguém cria. O samba é uma instituição. Por isso que ninguém tira o nome samba.


Ainda existe samba de terreiro nas quadras das escolas de samba?

Não há muito tempo. Hoje todo mundo faz samba enredo. Um ano faz para o Salgueiro, outro ano para a Portela. Se você perguntar para alguém o samba enredo de três anos atrás, ele não lembra.


Por que isso acontece?

Hoje o samba no desfile precisa ser longo. Tem que dar tempo de cinco mil pessoas passarem. Outro motivo é o acúmulo de poder nas mãos dos carnavalescos. Ele faz tudo e decide tudo. Não tem mais aquilo do samba enredo ser uma produção da comunidade.

Existe uma intelectualização no samba das escolas?

Não. O samba é intelectual. Não aquele intelectual de diploma superior ou coisa do tipo. Muita gente como eu, que só tem o segundo ano do ginásio, compõe coisas lindíssimas. O que existe é uma mudança de cultura. Não diria se isso é ruim ou bom, mas é diferente. No carnaval não tem mais a vedete da comunidade. Mesmo se tiver uma mulata linda no morro, quem desfila em destaque é uma artista.


O samba hoje, agoniza mas não morre?

Não, não morre. Pode ficar diferente mas não vai morrer. E ainda tem muita gente fazendo um bom samba.


A sociedade brasileira e as gravadoras reconhecem o samba?

Em um país de 170 milhões de habitantes, um Zeca Pagodinho e Jorge Aragão que vendem 500 mil, um milhão de cópias já não são grande coisa. Mas, e os outros sambistas? Não se valoriza o aspecto cultural do samba, o samba do morro, de terreiro.

A VIDEO

Na entrevista exclusiva ao SaraivaConteúdo, o cantor Zeca Pagodinho fala da escolha do repertório de seu novo disco - “Vida da minha vida” - que traz participações de grandes nomes do samba como Alcione, Velha Guarda da Portela, Nelson Sargento e Velha Guarda do Império Serrano.

A VIDEO

Um time de mestres subiu ao palco do Canecão, no Rio de Janeiro, na noite de 11 de agosto de 2009 para saudar sua rainha. Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Beth Carvalho, Jorge Aragão, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Délcio Carvalho, Bruno Castro, o primo Mestre Fuleiro e a Velha Guarda do Império Serrano emocionaram o público e sua diva na comemoração dos seus 62 anos de carreira. Essa grande festa foi o show “Canto da Rainha” que virou o primeiro DVD de Dona Ivone Lara em seus 88 anos, e CD.

A VIDEO

Encontro das 3 gerações do Samba. Almir Guineto, Zeca Pagodinho e Dudu Nobre.
O jornalista Chico Pinheiro entrevista esse trio que revoluciona até hoje o samba de rosa.

Um sarau produzido pelo canal GNT. Está dividido em 5 partes…